kbKevinbrinqconteúdo que movimenta
ECONOMIA CIRCULAR

RADAR KB · EDIÇÃO 07

O ciclo começa
antes da produção.

Produto, processo e comunicação precisam avançar juntos para transformar intenção ambiental em resultado comprovável.

JUL 202618 MIN DE LEITURAPOR RADAR KB
PRODUTOpensado para o cicloPROCESSOcom menos perdasEVIDÊNCIA

A regulamentação das embalagens plásticas e o avanço da rastreabilidade mostram que a circularidade entrou definitivamente na agenda industrial. Empresas precisarão rever projetos, fornecedores, processos, resíduos e a maneira como comunicam seus resultados.

Durante muito tempo, a economia circular foi apresentada como uma tendência para o futuro.

Em 2026, ela começa a assumir uma função mais concreta na indústria brasileira.

Novas regulamentações, metas de logística reversa, exigências relacionadas ao conteúdo reciclado e ferramentas de rastreabilidade estão transformando a circularidade em parte das decisões de produção.

O movimento não envolve apenas grandes fabricantes de resinas ou embalagens. Aos poucos, alcança toda a cadeia:

  • indústrias transformadoras;
  • fabricantes de produtos;
  • importadores;
  • distribuidores;
  • varejistas;
  • operadores logísticos;
  • recicladores;
  • cooperativas;
  • fornecedores de acabamento;
  • empresas responsáveis pela comunicação.

A economia circular deixou de ser apenas uma campanha sobre reciclagem. Ela passou a influenciar como o produto é projetado, produzido, personalizado, transportado, utilizado e destinado depois do consumo.

O que mudou no ambiente regulatório

Em outubro de 2025, o Governo Federal publicou o Decreto nº 12.688, que instituiu o sistema de logística reversa de embalagens plásticas no Brasil.

A norma abrange embalagens primárias, secundárias e terciárias, além de determinados produtos plásticos equiparáveis que se transformam em resíduos depois do consumo.

Em maio de 2026, o Ministério do Meio Ambiente publicou um comunicado para esclarecer a aplicação do decreto e as responsabilidades dos diferentes participantes.

A regulamentação estabelece que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes possuem funções dentro do sistema.

Entre as ações previstas estão:

  • estruturação da logística reversa;
  • financiamento da operação;
  • coleta;
  • armazenamento;
  • transporte;
  • triagem;
  • reciclagem;
  • reutilização;
  • rastreabilidade;
  • comunicação com os consumidores;
  • comprovação dos resultados.

É importante destacar que a nova regulamentação está direcionada principalmente às embalagens plásticas e aos produtos equiparáveis definidos pela norma. Isso não significa que todo produto plástico esteja automaticamente sujeito às mesmas obrigações.

Cada empresa precisa analisar seu enquadramento e buscar orientação técnica e jurídica quando necessário.

Circularidade começa no projeto

Uma das mudanças mais importantes do decreto está na orientação para que aspectos como reciclabilidade e durabilidade sejam considerados ainda nas fases de concepção e produção.

Isso altera a lógica tradicional.

No modelo linear, o produto costuma seguir esta sequência:

  1. extrair matéria-prima;
  2. fabricar;
  3. vender;
  4. utilizar;
  5. descartar.

Na economia circular, o descarte precisa ser considerado antes mesmo de a fabricação começar.

Durante o projeto, a empresa passa a perguntar:

  • Quais materiais serão utilizados?
  • Eles podem ser separados?
  • O produto ou a embalagem poderá ser reutilizado?
  • A personalização dificulta a reciclagem?
  • Existem componentes desnecessários?
  • Como o material será identificado?
  • Quem receberá o resíduo depois do uso?
  • É possível reduzir a quantidade de matéria-prima?
  • O produto pode durar mais?

Essas perguntas não eliminam o uso do plástico. Elas procuram utilizá-lo com mais eficiência e planejamento.

Reciclar é importante, mas não é a primeira etapa

Existe uma tendência de resumir economia circular à reciclagem.

A reciclagem é fundamental, mas deve fazer parte de uma sequência mais ampla.

Antes dela, a empresa pode trabalhar com:

  • redução de material;
  • eliminação de perdas;
  • aumento da durabilidade;
  • reutilização;
  • manutenção;
  • reaproveitamento interno;
  • retorno de embalagens;
  • melhoria da separação;
  • escolha de materiais compatíveis.

Um produto que utiliza menos recursos, dura mais e gera menos refugo já avança em direção a uma operação mais eficiente, mesmo antes de chegar à reciclagem.

A indústria precisa observar todo o ciclo, e não somente o destino final.

Rastreabilidade transforma discurso em evidência

Uma das principais demandas da nova economia industrial é comprovar aquilo que está sendo declarado.

Não basta afirmar que uma embalagem contém material reciclado. Será necessário demonstrar a origem e o caminho desse material.

O Recircula Brasil, iniciativa desenvolvida pela Abiplast com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, utiliza documentos fiscais eletrônicos para rastrear resíduos e resinas recicladas desde a origem até a reinserção na fabricação.

A plataforma busca responder perguntas como:

  • De onde veio o resíduo?
  • Quem realizou a triagem?
  • Quem produziu a resina reciclada?
  • Para qual indústria o material foi enviado?
  • Em qual produto ele foi utilizado?
  • Qual quantidade foi efetivamente reinserida?

A rastreabilidade ajuda a reduzir o risco de declarações sem comprovação e permite que empresas utilizem dados verificados em relatórios, negociações e comunicações.

Em junho de 2026, a Abiplast lançou também o Hub de Circularidade, integrado ao ecossistema do Recircula Brasil, para aproximar o setor produtivo das entidades responsáveis pela logística reversa e preparar as empresas para as novas exigências.

Produto, processo e comunicação precisam estar alinhados

A economia circular influencia três áreas ao mesmo tempo.

Produto

O projeto deve considerar material, durabilidade, possibilidade de separação, reutilização e reciclagem.

Processo

A fábrica precisa reduzir perdas, controlar insumos, separar resíduos e documentar sua destinação.

Comunicação

As alegações ambientais devem corresponder a resultados reais e comprováveis.

Se uma dessas áreas não estiver alinhada, surgem riscos.

Uma empresa pode desenvolver um produto reciclável, mas enviá-lo para locais sem estrutura de coleta. Pode utilizar material reciclado sem conseguir comprovar a origem. Também pode fazer uma campanha ambiental maior do que os resultados realmente alcançados.

Circularidade exige coerência entre intenção, operação e evidência.

O acabamento também interfere na circularidade

Pintura, impressão, rótulos, adesivos e outras formas de personalização fazem parte do projeto do produto.

Esses processos cumprem funções importantes:

  • identificar a marca;
  • informar o consumidor;
  • diferenciar versões;
  • orientar a utilização;
  • criar valor visual.

Entretanto, também precisam ser considerados na análise do ciclo de vida.

Dependendo do material e da aplicação, a personalização pode influenciar a separação, a identificação ou o processamento do resíduo.

Isso não significa que produtos não devam ser pintados ou personalizados. Significa que a decisão precisa ser consciente.

Antes de definir o acabamento, a empresa pode avaliar:

  • a quantidade de material aplicada;
  • a compatibilidade com a superfície;
  • a durabilidade necessária;
  • a possibilidade de reduzir componentes;
  • a geração de resíduos;
  • a taxa de peças reprovadas;
  • o processo de limpeza;
  • o acondicionamento;
  • as orientações para descarte.

A melhor solução é aquela que atende à função visual sem gerar desperdícios desnecessários.

Reduzir refugos também é economia circular

Uma peça reprovada representa muito mais do que o custo do material.

Ela já consumiu:

  • matéria-prima;
  • energia;
  • tempo de máquina;
  • mão de obra;
  • transporte interno;
  • espaço;
  • insumos de acabamento.

Se precisar ser descartada, todos esses recursos também foram utilizados sem gerar um produto comercializável.

Por isso, reduzir refugos é uma das contribuições mais imediatas que pequenas e médias indústrias podem realizar.

Algumas ações importantes são:

  • produzir e aprovar amostras;
  • validar a aderência;
  • controlar parâmetros;
  • padronizar referências de cor;
  • inspecionar durante o lote;
  • registrar causas de perdas;
  • manter equipamentos;
  • treinar operadores;
  • proteger as peças durante o transporte.

Mesmo empresas que ainda não utilizam matéria-prima reciclada podem começar melhorando sua eficiência produtiva.

O fornecedor passa a integrar a estratégia ambiental

A circularidade não termina no portão da fábrica.

Se uma etapa é terceirizada, o fornecedor passa a fazer parte do desempenho ambiental do produto.

A empresa contratante poderá precisar saber:

  • quais insumos são utilizados;
  • como ocorre o controle do processo;
  • qual é a taxa de perdas;
  • como os resíduos são separados;
  • qual é a destinação;
  • se existe documentação;
  • como o produto é transportado;
  • se o padrão pode ser repetido.

Essa necessidade muda a seleção de fornecedores.

Preço e prazo continuam importantes, mas organização, transparência e controle ganham peso.

A contribuição dos serviços especializados

Nos serviços de tampografia, serigrafia e pintura, a contribuição para uma operação mais responsável começa pelo planejamento técnico.

Uma aplicação inadequada pode gerar baixa aderência, retrabalho e perda de peças. Uma amostra validada e um processo controlado reduzem esses riscos.

A área de Serviços da Kevinbrinq atua justamente em etapas de acabamento e personalização para pequenas peças, copos e produtos industriais.

Nesse contexto, sua participação na agenda circular não deve ser comunicada por promessas ambientais genéricas. Ela pode ser demonstrada por práticas concretas, como:

  • definição correta do processo;
  • validação por amostra;
  • controle de aplicação;
  • redução de retrabalho;
  • aproveitamento adequado dos insumos;
  • separação dos resíduos;
  • registro do padrão aprovado;
  • orientação técnica ao cliente.

A contribuição de um fornecedor especializado está em ajudar o produto a avançar pela produção com menor risco de perdas.

Comunicação ambiental exige cuidado

À medida que o consumidor se interessa por sustentabilidade, aumenta o número de produtos apresentados como:

  • ecológicos;
  • verdes;
  • sustentáveis;
  • recicláveis;
  • conscientes;
  • amigos do meio ambiente.

Essas expressões são amplas e podem gerar interpretações maiores do que os resultados reais.

Uma comunicação responsável precisa ser específica.

Em vez de afirmar apenas que um produto é sustentável, a empresa pode informar:

  • percentual de conteúdo reciclado;
  • origem comprovada do material;
  • redução de peso;
  • possibilidade de reutilização;
  • instruções de separação;
  • sistema de retorno;
  • destino dos resíduos;
  • período e abrangência dos resultados.

Quanto mais específica for a alegação, maior será a possibilidade de verificação.

Reciclável não significa que será reciclado

Esse é um dos pontos mais importantes da comunicação.

Um material pode ser tecnicamente reciclável, mas não ser efetivamente reciclado em determinada região. Isso pode acontecer por falta de coleta, triagem, volume, tecnologia ou viabilidade econômica.

Portanto, afirmar que algo é reciclável não encerra a responsabilidade.

A empresa precisa considerar:

  • existência de coleta;
  • facilidade de separação;
  • identificação do material;
  • estrutura regional;
  • orientação ao consumidor;
  • demanda pelo resíduo;
  • destino possível.

A economia circular depende de conexão entre os diferentes agentes da cadeia.

Pequenas empresas também precisam se preparar

É comum imaginar que as novas exigências atingirão apenas grandes corporações.

Mas as grandes empresas transferem parte de suas necessidades para os fornecedores. Uma indústria menor pode começar a receber perguntas sobre materiais, resíduos, rastreabilidade e comprovação ambiental mesmo sem estar diretamente obrigada a todas as metas.

A preparação pode começar com medidas simples:

  1. mapear os materiais utilizados;
  2. identificar os principais resíduos;
  3. registrar perdas;
  4. conhecer os fornecedores;
  5. organizar documentos;
  6. separar corretamente os resíduos;
  7. revisar as comunicações ambientais;
  8. estabelecer metas possíveis;
  9. acompanhar a regulamentação;
  10. capacitar a equipe.

O objetivo inicial não precisa ser apresentar uma operação perfeitamente circular. Precisa ser conhecer o processo e começar a melhorá-lo com evidências.

A circularidade pode gerar competitividade

A economia circular é frequentemente apresentada apenas como custo regulatório.

Entretanto, ela também pode produzir ganhos:

  • redução do consumo de matéria-prima;
  • menor geração de refugos;
  • melhor aproveitamento dos insumos;
  • acesso a novos clientes;
  • atendimento às exigências de grandes empresas;
  • melhoria da reputação;
  • desenvolvimento de produtos;
  • organização de dados;
  • redução de riscos.

Empresas que compreenderem seus materiais e processos terão maior capacidade de responder a compradores, auditorias e consumidores.

O ciclo precisa fechar de verdade

A economia circular entrou em uma fase mais prática no Brasil.

O Decreto nº 12.688, os esclarecimentos publicados em 2026, o avanço do Recircula Brasil e a criação do Hub de Circularidade mostram que a indústria caminha para um ambiente com mais metas, rastreabilidade e comprovação.

Isso muda produtos, processos e fornecedores.

Também muda a comunicação.

A empresa que apenas utiliza palavras ambientais ficará cada vez mais exposta. Aquela que conhece os próprios materiais, mede perdas e apresenta informações específicas estará mais preparada.

Circularidade não é transformar todo produto em reciclado de uma só vez.

É deixar de enxergar o resíduo como uma consequência invisível e começar a considerá-lo desde a primeira decisão do projeto.

Checklist inicial de economia circular

  • Quais materiais são utilizados?
  • Eles podem ser identificados e separados?
  • Quanto refugo o processo gera?
  • As causas das perdas são registradas?
  • A personalização interfere no descarte?
  • Existem possibilidades de redução?
  • O produto pode durar mais?
  • A embalagem pode ser reutilizada?
  • A empresa conhece o destino dos resíduos?
  • Os fornecedores entregam documentação?
  • As alegações ambientais podem ser comprovadas?
  • O consumidor recebe orientação de descarte?
  • A empresa está abrangida pelas regras de logística reversa?
  • Existe acompanhamento das normas de 2026?

Fontes consultadas

RADAR KB · SERVIÇOS

Menos discurso.
Mais processo comprovado.

Conhecer materiais, medir perdas e organizar evidências é o primeiro passo para uma operação mais circular.

Conheça os serviços da KB →